Publicado por: Renan Accioly Wamser | setembro 30, 2008

A prática da infelicidade

Quando garoto nunca gostei de praticar esportes. Era difícil chegar no intervalo do colégio e admitir que sua habilidade era insuficiente para qualquer uma das práticas que movimentavam as quadras. Preferia sentar com seu grupo de amigos e falar de desenhos, jogos e bobeiradas juvenis, que raramente envolviam assuntos amorosos e muito menos esportivos. Sabíamos que não éramos os mais populares e talvez nem almejássemos isso. Estávamos unidos.

 

O futebol é a maior frustração para um garoto que não tem habilidade nem a pegada de um bom jogador. Devem ter sido uns 7 anos de educação física em que seus gostos não valem nada, você só tem que aceitar o esporte que um professor de calça de nylon vai lhe dizer.  E na minha escola esse educador se chamava Cafu, coincidência esportiva? Não, só podia ser um desmazelo. Ele não apenas queria que você treinasse e divertisse, mas que levasse o esporte como uma obrigação e disciplina.

 

Devia ser lá pela sexta série, me lembro bem de uma raça de estúpidos tirando as bermudas e ficando só de cueca dando muitas risadinhas para as meninas. E as meninas achavam isso o maior barato, aquilo sempre me assustou. Por que diabos ficaria mostrando a minha bunda em público pra me destacar? Mas nem é isso que me atormenta mais, é saber que o professor vê e sabe de tudo, mas nada faz. Ele preferiu jogar a bola na minha cara e me fazer passar vergonha em frente de toda a sala porque eu estava disperso

 

No começo você até quer se enquadrar no sistema atlético. Só que a cada jogo, partida e bolada na cara as coisas vão ficando mais difíceis. Tudo se acumula e você quer mais é fugir de tudo isso. Ai você desiste e fica lá por último na hora de ser escolhido. São esses momentos que todos nós tentamos esquecer, quando nos sentimos rebaixados por algo que nos é empurrado goela abaixo e você não pode recusar. Imagina repetir Educação Física de novo? É melhor fazer e ficar livre. No meu caso, eu fico desesperado quando recebo a bola e faço tudo errado, pode variar. Se for com meninas assistindo ou atletas desconhecidos eu estou lascado.

 

Passado a época dos traumas escolares eu optei por fazer somente o que gosto, pode me chamar para jogar umas mil vezes e usar todos os tipos de táticas para me influenciar, eu não vou. Se fosse fazer uma relação da quantidade de vezes que tive que aturar garotos me convidando para uma partidinha de futebol sem compromisso eu poderia comparar com as vezes em que a Bruna Surfistina foi para a cama com um homem.

 

Quando se é menor, nós pensamos que todas essas pequenas coisas são apenas uns testes necessários para amadurecer. Mas não, são nesses pequenos momentos dentro de cada sala de aula, dentro de uma quadra ou na diretoria de uma escola que já começam a te destruir. Você não sabe do que gosta, em que é bom e nem o que pensa em ser da vida, mas somente por não ter se encontrado eles te jogam do barranco. E pode ter certeza que quanto mais você crescer, o barranco vai ser mais alto e buraco cada vez mais fundo.

 

 

 

 

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Responses

  1. Foda, Renan. Foda.

  2. esporte é para os fracos!

    e apavorei geral no meu post!!


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