Publicado por: Renan Accioly Wamser | maio 22, 2008

Exigências

Sabe quando alguém te cumprimenta e você retribui falando: — Prazer em conhecer. Mesmo que seja uma das pessoas mais estúpidas do universo? Ou quando você vai entregar currículos em uma dessas lojas que você não tem a mínima vontade de trabalhar e tem que demonstrar aquele sorriso patético com uma cara de agrado e ser julgado bom o suficiente para trabalhar no recinto. Não é a corrupção, a alta do dólar, nem nada disso que me entristece. É a maldita hipocrisia, você se apresentar calmo, educado e passivo para ser aceito.

Era a primeira eucaristia. Ainda tinha um cabelo alto que eu odiava ter de penteá-lo, parecia muito aqueles meninos que soltam pipas no morro e achavam que seu estado físico está bacana demais para ser mudado. Minha mãe me levava todo sábado a tarde para um salão ao lado da igreja. Era um encontro dDoug Funniee jovens para a eucaristia que, segundo alguns, me levaria para o caminho do bem e seria um requisito para me casar. Tinha que ir de branco, e isso eu achava a maior das bobeiras, porque branco é porra da paz.

Andava todo o trajeto a caminho da igreja com um daqueles cadernos capa dura amarelos. Pensava sempre em como podiam vender algo tão horroroso. Tinham tantas cores legais. Tinha o roxo, o preto, o azul e o cinza, mas eles iam logo no amarelo mostarda. Os pais não vêem isso? Claro que não, eles já te forçaram a usar macacão, sunga de banho e cabelo escovinha. E a tendência é seguir no cabestro por muito tempo. Naquela época era assim, um burro de carga que carregava todas as vontades dos pais.

Chegava lá naquele prédio moderno e bacaninha, tinha um monte de cartazes com pombas, crucifixos, pães e uns santos desenhados. Frases de incentivos estampadas nas paredes, tais como: “Deus é vida”, “Jesus é alto astral” e todas essas bobeiras. Aos 10 anos eu já achava essas frases sem o mínimo de sentido. Se Jesus é alto astral, então por que me obrigava a vir para esse maldito encontro? E se Deus é vida, porque ele não é morte também? Não dizem por aí que ele escolhe a hora que você vai morrer, algo tipo “Deus quis assim”.

Perdi dois anos de minha vida indo nesses encontros. Aquelas crianças todas limpas e comportadas discutindo sobre o perigo das drogas, do álcool e do até do sexo. Aquele professor meio gordo, com um cabelo grisalho falava muito dos perigos do contato físico e tudo mais. Tinha um gogó grosso pra chuchu e se esbaldava de conversa fiada. Será que o maldito não tinha pênis e não se deleitava de prazer com sua mulher? O que eu sei é que não tem nada mais triste do que ter essas lembranças inúteis. Eu queria era não ter passado por essas imposições mentais, preferia aos sábados assistir o Doug Funnie e não ter visto nenhum padre em toda minha vida.

Anúncios

Responses

  1. ou-i-ou…. mingau matadorr!!

  2. Doug! Doug!!!

  3. E a gente tem que passar pot tanta coisa pra saber que não é legal…rs

  4. Noossa. Nem fala que também passei por isso. E só para constar: Doug é o que há!


Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Categorias

%d blogueiros gostam disto: