Publicado por: Renan Accioly Wamser | fevereiro 6, 2008

Patifaria

Bissexuais

Sabe quando aquelas estrelas de plásticos reluzentes grudadas na parede do seu quarto já não fazem mais sentido algum? Ou quando sua coberta preferida se torna uma coberta normal e perde todo o compromisso de lhe proteger pra sempre? Isso já deveria ter acontecido há algum tempo atrás, mas parece que foi ontem depois de ligar para umas duas pessoas e ir para uma festa caseira de aniversário, que as coisas fizeram ainda menos significado para mim.

 A obrigação de me socializar com as pessoas à minha volta tem me deixado embrulhado mentalmente, estou farto de me dirigir a locais com pessoas tão medíocres e estúpidas ao ponto de acharem que falar das suas ficadas e beijos demonstram seu caráter ou algo desse tipo. Mas a minha bondade está sempre ali, sempre pronta pra me fazer voltar a esses lugares e fingir dar atenção a essas mesmas pessoas.

 Tudo começa quando você quer exacerbar e demonstrar pro mundo que é um adolescente sagaz e que vai representar uma multidão de bastardos adolescentes revoltados. Comigo não foi assim porque eu nunca achei que as dificuldades que nós passávamos era algo a ser declarado e também não havia tempo para se pensar sobre isso. Eu tinha de ir pro Ateneu Dom Bosco estudar para honrar o sacrifício que meu pai fazia de tentar pagar esse colégio. Acho que os padres eram muito bondosos conosco, pois os atrasos de pagamentos e as dificuldades financeiras eram tamanhas que passávamos semestres devendo até o rabo.

 Quando se é menor, dá pra se perceber as coisas que realmente afligem a sua família e que causam brigas e todo tipo de coisa. No caso da minha, o dinheiro era o maldito filha da mãe. Minhas amizades naquela época não beiravam a auto-destruição, nós só queríamos andar de bicicleta e ficar no computador jogando coisas absurdas. Começamos a gostar do rock n´roll naquela época, e aquilo era a música que fazia o maior sentido para todos, era como se tivessem nos proibido de ouvir e falar por tanto tempo que agora aquilo falava por nós mesmos.

 Nunca fomos a festivais de rock, não usávamos camisas de bandas, não queríamos nos juntar ao “underground” e nem nos interessávamos por usar all-star e pertencer a porra de grupo nenhum. Todas essas coisas parece ser obrigação do jovem. Pertencer a um bando, ter amigos populares e ser reconhecido por alguma coisa que faça. Andei vendo garotas de 14 anos se oferecendo como uma vadia qualquer, provando pra si e para os outros que ela não sabe nada do que faz, mas tem sempre alguém fazendo nela. Eu estou beirando os 20 anos e só agora percebi a tamanha poça de lama que andei pisando. É bem mais fácil você se esconder atrás de roupa preta, bandas e amiguinhos do que enfrentar a realidade de se sacrificar diariamente e pagar um colégio pro seu filho.

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Responses

  1. renã.. já te falei que você é um menino inteligente?!!
    ahahahah
    é como eu sempre digo: é muito mais fácil você comprar uma ideologia num livrinho de sebo e se esconder atrás da retórica do que assumir a SUA vontade. Ideologia: voce quer uma? eu não, obrigada!

    saudades seu goiano maRdito!!
    beijos

  2. É, acho que também repenso muitas coisas ao beirar os malditos 20 anos.
    Por um lado, acho que enfrento a realidade desde muito nova. Não cheguei até aqui me escondendo em pensamentos dos outros, em amizades sem rumo e coisas imbecis. Eu sempre tive os meus planos, diferente de muitas garotinhas que encontramos todos os dias por aí.
    E eu sei o que é se sacrificar diariamente para pagar a minha sobrevivência neste lugar, o que faz uma diferença bruta com muita gente que conhecemos renanzito.

    Beijos, volte logo.

  3. “É bem mais fácil você se esconder atrás de roupa preta, bandas e amiguinhos do que enfrentar a realidade de se sacrificar diariamente e pagar um colégio pro seu filho.”

    Concordo plenamente. Odeio pessoas que usam fantasias para demonstrar personalidade.

    Morro de saudades de você.

    Beijos.

  4. To na casa dos 30 e num tive crise dos 20 …Acho que num sou normal rs….Mas sempre fui reflexiva e só fazia e faço o que manda minha consciência…E pra falar a verdade quando jovenzinha tenra num gostava de me enquadrar pra ser aceita não, era sempre do contra…rs

  5. KaracO, eu li oque vc escreveu e podia jurar que ideia de 40 anos hein, Puts já revirei mundos e fundos e quase nunca encontro algo assim…Adorei teu blog quando puder vá a meu blog não magestral mais cerve como algo.
    Vc é muito inteligente.

  6. Fui mostrar a uma pessoa o que “patifaria” significava. Usando o google, em umas das páginas, fui re-direcionado para cá. Me vi em cada palavra do seu texto.

    Eu estou enojado de toda essa farsa. Desses sorrisos que as pessoas cobram da gente nessas situações nas quais a falsidade é transmitida codificada nesses tais sorrisos…

    Estou à um mês e meio dos meus 20 anos. Sou rodiado por pessoas falsas, daquelas que abraçam e te ferem com as unhas. Daquelas que dizem “te amo” análogando um “te odeio”, mas sempre, com um maldito e falso sorriso na cara.

    Patifes, de fato. Me sinto doente aqui. Espero que isso tudo mude e, se não for desejar muito, para melhor.

    Grande abraço. Até mais.


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