Publicado por: Renan Accioly Wamser | dezembro 26, 2007

Presente

Toda essa coisa de festividade. Natal , nascimento do moleque Jesus e tudo mais. Esses trem que me atormentam todo ano. Eu não odeio o Papai Noel e não acho ele um velho batuta. Mas eu queria pular isso tudo e parar com esse fingimento milenar. Agora as festas chegaram e trouxeram o meu irmão com duas garotas, dessas que usam bandana no show do Bruno e Marrone e clamam para ser comidas por eles. Tanto faz, nem preocupo mais com quem ele anda nem nada disso. Só não queria que elas se apossassem do meu quarto, da minha cama e do meu sagrado computador.

Meu pai sempre foi o Papai Noel de todas as nossas festas. Geralmente nós íamos pra fazenda, a mesma que trabalhei de camponês, e juntávamos todos aqueles familiares para trocar presentes e tudo mais. Duas coisas foram importantes naqueles natais, eu ter ganhado um bonequinho do X-men e ter aprendido a andar de cavalo. Galopar em um alazão não era a definição correta. Eu já tive uma égua branca, mas creio que era uma fantasia temporária, pois meu padrinho a vendeu quando perdeu a esperança da fazenda Boa Esperança.

Lembro-me bem dos meus piores presentes. Não sei por qual motivo, mas sempre veio da mesma pessoa em especial. Eu não entendia porque minha avó dava bicicletas para meus primos, carros para minha tia e vinha com uns presentes tão medíocres. Ela tinha uma aparência legal e sempre achei que gostava de mim e tal. Nunca brigávamos e eu a ouvia por longas horas. Mas era só ter uma chance que ela jogava tudo aquilo no buraco. Naquele aniversário, de oito anos, ela não subiu pra festa caseira e interfonou para que eu descesse lá em baixo para buscar o presente. Ela estava lá no seu Uno azul quando escorei na porta e ela me entregou aquilo.

Estava dentro de um pacote de presente e parecia bem pequena. Pensei positivamente, pois pelo menos não era roupa. Roupa não é presente de criança! Rasguei o pacote desesperadamente e vi aquilo. Era um fusquinha amarelo do tamanho de um celular. Tinha fricção, mas era uma das coisas mais medíocres que já havia ganhado. Acho que aquele carrinho de R$1,50 era bem menos valioso que seu valor real. Já tive momentos tristes na minha vida, mas aquele carrinho demonstrava pra mim a importância que eu tinha realmente para aquela pessoa. No último ano que passei junto com ela, há uns dois anos atrás, ganhei um kit cortador de unha. Acho que ela não gosta muito de mim mesmo.

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Responses

  1. “há uns dois atrás, ganhei um kit cortador de unha” HAHAHAHAHAHAHAHAHHAHAHAHAAHHAHA, ai jesus! Minha avõ também nunca acertou um presente. Odeio esse climinha.

  2. Minha vó tá prometendo um anel de sei lá o que para mim há séculos, mas não posso reclamar, ela mima bastante a netinha aqui

  3. A minha mãe é bipolar. Um ano até me liga no aniversário e em outros, como o meu de 16, deu-me uma bela surra. Já no natal rola uma grande briga familiar que causa uma fadiga muito grande em meu ser já oprimido.

  4. O comentário acima é meu, fiz sem querer logana na Cissa, sou ligeiramente imbecil.

    “A minha mãe é bipolar. Um ano até me liga no aniversário e em outros, como o meu de 16, deu-me uma bela surra. Já no natal rola uma grande briga familiar que causa uma fadiga muito grande em meu ser já oprimido.”

    Beijos.

  5. porra, tenho saudades seu…. fadiguento!
    mande noticias! to comecando a achar que voce nao gosta mais de mim!!


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