Publicado por: Renan Accioly Wamser | setembro 22, 2007

Fins de semana

Brincando na água

Nós tínhamos uma F-1000 prata, se não me engano era modelo 94/95, como meu pai sempre costumava a falar. Adorava aquela caminhonete, ela era robusta e combinava com a região que eu morava. Goiânia era cheio de caubóis e pessoas que gostavam de coisas caipiras. Não sei por que, mas nunca gostei muito disso. Achava calça apertada, botina e chapéu uma coisa, no mínimo, ridícula. Lá existia a Pecuária, o maior evento da cidade. Sempre tinha show de bandas que eu detestava e desfile de vacas que não me agradava. Mas como eu só tinha uns 12 anos, só me restava ir com meus pais e meu irmão mais velho a esses lugares.

Mas não era sempre assim. Meu pai tinha um velho amigo chamado Abel. Era um cara alto, tinha fisionomia de caminhoneiro e uns olhos brilhantes que não combinavam com ele. Tinha uma família imensa, moravam todos lá. Tia, filhos, esposa, sobrinha, mãe e uns animais, sempre tomando chimarrão. Eles tinham uma baita chácara, com diversas represas e tudo mais. Acho que essa chácara era a salvação do meu fim de semana. Íamos pra lá muitas vezes pescar, só que isso fica restrito ao meu pai. Eu queria era brincar com os filhos de Abel, Gilson Batata e Deivid, sempre achei que o nome desse Deivid estivesse escrito errado. E tinha outro primo deles, o Pam-Pam.Antes de irmos sempre perguntava ao meu pai se podia levar algum amigo meu do prédio. Acho que todos já foram pra lá, ás vezes, iam mais de um. Acho que meu pai gostava que eu levasse meus amigos para desfrutar um pouco da natureza. Era uma chácara na saída da cidade e demorava um pouco pra chegar. Na viagem todos íamos na frente, porque a policia poderia parar e tudo mais. Eu gostava quando todo mundo ia apertado e a Fera, nossa cadela, começava a rodar em volta do rabo em cima de todos nós. Era uma cadela neurótica e sempre reparei uma semelhança entre ela e minha mãe. Penso que meu pai preferia a neurótica que latia.

Não tínhamos uma meta na cabeça quando chegávamos lá. Descíamos e logo encontrávamos os filhos de Abel e o Pam-Pam. Os filhos dele eram bem diferentes, David era gordo na barriga, mas não nas outras partes. Tinha um cabelo liso escorrido e uma cor de olhos igual a do seu pai. Gilson Batata era um menino normal de cabelos negros e um sorriso convidativo. O Pam-Pam era estranho, não sabia e ainda não sei o que pensar dele. Deviam ter a mesma idade que a minha. Nós tínhamos que cumprimentar a família deles e depois partíamos pra diversão. Não havia nada de especial na chácara. Talvez esse fosse o legal, inventávamos o que fazer. Pedaços de madeira eram nossas armas, o campo de futebol era uma poça de lama e as galinhas equivaliam a enormes monstros para nossos bonecos.

Ao final do dia, estávamos sujos, cansados e simplesmente felizes. Nada era mais importante do que se divertir o máximo possível. Sabe qual era nossa maior preocupação? Que a aula do dia seguinte nunca chegasse. Lembro-me daqueles dias como se fossem eternos. Hoje aqui sentado fico pensando em como estão àqueles garotos e por que estar com meus amigos já não me deixa totalmente feliz. Infelizmente minhas preocupações agora não se estendem somente a aula do dia seguinte

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Responses

  1. Quando era pequena, meus avós sempre levavam eu, minha irmã e a filha da empregada para uma chácara que dá de frente para o lago da represa. Minha mãe odiava quando a gte entrava no lago, mas eu e a raquel insistíamos e sempre passávamos a tarde brincanco na água com coletes salva-vidas amarelos. Lembro tão bem. A gte sempre chegava em casa sem calcinha (pq a gte nunca levava biquíni), só com a roupa do corpo e o cabelo molhado. Boa época. Sinto saudades

  2. Eu tenho muita saudade da minha época de criança; Gostaria que ela nunca tivesse passado.

  3. Meu pai sempre preferiu as cadelas que latiam, juntamente a uma garrafa de Malta quente. O que há de errado com as mães? Hoje gastei 26 unidades falando com a minha, pelo menos vou paera o céu depois dessa.

    Beijos.

  4. Tô tentando comentar aqui faz tempo e sempre dá erro, Renaaaaaaaaan! Sou sua fã!

  5. Ahá!
    viu finalmente li seu blog
    ahuahuahuahauhauhauh

    muito divertido o texto
    principalmente aquela frase q vc já tinha me contado
    ahahuahuhauhauhauhauha

    abraçoo

  6. Rénan:::

    amei seu mickey feio, mas nao quero humihar ninguém com meus dotes de artista.

    tinha outra coisa pra falar, mas esqueci

  7. Renan, vc eh um fanfarrão…mas sou sua eterna fã!!!!


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