Abre os olhos cansado de sentir aquele prego roçando suas costas naquele duro sofá vermelho. Olha em sua volta e percebe que está tudo em ordem, menos o seu corpo. Vai ao espelho e percebe toda a imundície que percorre seu rosto. São aquelas rugas misturadas com uma pele tão oleosa que chega a manchar um pedaço do papel higiênico. Escuta a campainha.
- Cara, eu briguei com a Julia.
- Éééé?
- Velho, não sei mais o que fazer pra controlar aquela mulher.
- Quando não se consegue domá-las você precisa fugir delas.
- Eu não quero fugir dela, porra. Eu amo ela.
- Não, cara. Você ama outras coisas mais do que ela. Agora cala a maldita boca de menino chorão e pega as últimas duas cervejas que estão lá na geladeira.
- Oookay.
Procurou na roupa um ponto específico de tecido que ainda não havia sido rasgado pelas tampas ao abrir suas cervejas. Com mais dois pequenos buracos agora eram dezoito em toda a camiseta. Parecia um soldado alvejado de balas, soldado esse que não conseguia enfrentar uma simples batalha com uma garota.
- Conte-me o que aconteceu, cara.
- Aquelas coisas de sempre, sabe?
- Não sei. Eu ainda estou livre delas por um tempo. Uma hora a gente para de querer andar por aí atrás do perfume delas e imaginar como seria vê-las repousando em nosso colo.
- Ah! Ela me falou que eu não faço nada o tempo todo e que não agüenta mais ter de enfrentar toda a coisa sozinha.
- Acho que a posição de vagabundo é um privilégio e as pessoas não entendem isso. Eu nunca passei mais de um mês e um mesmo trabalho e hoje vivo aqui nesse condôminio de 25 andares com toda essa merda de prostitutas, safados, bêbados e outros vagabundos como eu. Eu sou feliz.
- Não estou falando disso, cara. Você não entende.
- Não entendo mesmo. Só sei que uma cerveja me faria feliz neste momento. Sabe, a gente não precisa tanto delas assim. Gosto mais de estar andando de mãos dadas de vez em quando do que ficar naquela meteção toda e cuidando da merda do café da manhã pra elas não se sentirem mal depois de tudo.
- Eu tenho dinheiro, vamos comprar mais umas cervejas. Hoje o dia não é feliz.
- É ai que você se engana. Seus critérios de felicidade não valem nada, mas gostei da idéia da cerveja. A cerveja é a felicidade. A gente pode trocar uma mulher por uma garrafa. Ela tem boca, mas não fala. Você usa e joga fora. E se for um desses safados loucos por meter em alguém, enfia seu negócio lá e seja feliz.
Desceram os 25 andares naquele elevador. Foram três paradas nos mais diversos andares e as pessoas escrotas passaram por ali ao lado deles com aquele cumprimento social pouco satisfatório. Era um dia cinza e os bares estavam mais sujos do que nunca, era o ideal. Puxaram uma mesa de canto, olharam pro garçom e a felicidade se aproximou.
Porra, eu nao sei fazer diálogos. Só sei escrever merdas sem sentido e sem talento.
Vamos beber aquela cerveja vagabunda quando eu beber.
Por: Taísa em Agosto 28, 2008
às 11:17 pm
Aquela Skol, boca grande. Talvez dê pra meter nela.
Veja que a cerveja é um objeto sexual versátil: tem um buraco tentador, ao mesmo tempo que é fálica.
Hahaha.
Mas ainda prefiro as mulheres à cerveja.
Ou mulheres e cerveja.
Companhias.
Por: Ruca Souza em Agosto 29, 2008
às 3:57 pm
´a gente pode trocar uma mulher por uma garrafa. Ela tem boca, mas não fala. Você usa e joga fora. E se for um desses safados loucos por meter em alguém, enfia seu negócio lá e seja feliz.´
Gostei disso. Belo diálogo.
Por: Jairo em Setembro 22, 2008
às 2:09 pm