Sabe quando aquelas estrelas de plásticos reluzentes grudadas na parede do seu quarto já não fazem mais sentido algum? Ou quando sua coberta preferida se torna uma coberta normal e perde todo o compromisso de lhe proteger pra sempre? Isso já deveria ter acontecido há algum tempo atrás, mas parece que foi ontem depois de ligar para umas duas pessoas e ir para uma festa caseira de aniversário, que as coisas fizeram ainda menos significado para mim.
A obrigação de me socializar com as pessoas à minha volta tem me deixado embrulhado mentalmente, estou farto de me dirigir a locais com pessoas tão medíocres e estúpidas ao ponto de acharem que falar das suas ficadas e beijos demonstram seu caráter ou algo desse tipo. Mas a minha bondade está sempre ali, sempre pronta pra me fazer voltar a esses lugares e fingir dar atenção a essas mesmas pessoas.
Tudo começa quando você quer exacerbar e demonstrar pro mundo que é um adolescente sagaz e que vai representar uma multidão de bastardos adolescentes revoltados. Comigo não foi assim porque eu nunca achei que as dificuldades que nós passávamos era algo a ser declarado e também não havia tempo para se pensar sobre isso. Eu tinha de ir pro Ateneu Dom Bosco estudar para honrar o sacrifício que meu pai fazia de tentar pagar esse colégio. Acho que os padres eram muito bondosos conosco, pois os atrasos de pagamentos e as dificuldades financeiras eram tamanhas que passávamos semestres devendo até o rabo.
Quando se é menor, dá pra se perceber as coisas que realmente afligem a sua família e que causam brigas e todo tipo de coisa. No caso da minha, o dinheiro era o maldito filha da mãe. Minhas amizades naquela época não beiravam a auto-destruição, nós só queríamos andar de bicicleta e ficar no computador jogando coisas absurdas. Começamos a gostar do rock n´roll naquela época, e aquilo era a música que fazia o maior sentido para todos, era como se tivessem nos proibido de ouvir e falar por tanto tempo que agora aquilo falava por nós mesmos.
Nunca fomos a festivais de rock, não usávamos camisas de bandas, não queríamos nos juntar ao “underground” e nem nos interessávamos por usar all-star e pertencer a porra de grupo nenhum. Todas essas coisas parece ser obrigação do jovem. Pertencer a um bando, ter amigos populares e ser reconhecido por alguma coisa que faça. Andei vendo garotas de 14 anos se oferecendo como uma vadia qualquer, provando pra si e para os outros que ela não sabe nada do que faz, mas tem sempre alguém fazendo nela. Eu estou beirando os 20 anos e só agora percebi a tamanha poça de lama que andei pisando. É bem mais fácil você se esconder atrás de roupa preta, bandas e amiguinhos do que enfrentar a realidade de se sacrificar diariamente e pagar um colégio pro seu filho.
renã.. já te falei que você é um menino inteligente?!!
ahahahah
é como eu sempre digo: é muito mais fácil você comprar uma ideologia num livrinho de sebo e se esconder atrás da retórica do que assumir a SUA vontade. Ideologia: voce quer uma? eu não, obrigada!
saudades seu goiano maRdito!!
beijos
Por: cherrybombb em fevereiro 9, 2008
às 6:07 am
É, acho que também repenso muitas coisas ao beirar os malditos 20 anos.
Por um lado, acho que enfrento a realidade desde muito nova. Não cheguei até aqui me escondendo em pensamentos dos outros, em amizades sem rumo e coisas imbecis. Eu sempre tive os meus planos, diferente de muitas garotinhas que encontramos todos os dias por aí.
E eu sei o que é se sacrificar diariamente para pagar a minha sobrevivência neste lugar, o que faz uma diferença bruta com muita gente que conhecemos renanzito.
Beijos, volte logo.
Por: Larissa em fevereiro 10, 2008
às 7:04 pm
“É bem mais fácil você se esconder atrás de roupa preta, bandas e amiguinhos do que enfrentar a realidade de se sacrificar diariamente e pagar um colégio pro seu filho.”
Concordo plenamente. Odeio pessoas que usam fantasias para demonstrar personalidade.
Morro de saudades de você.
Beijos.
Por: Taísa em fevereiro 12, 2008
às 8:39 pm
To na casa dos 30 e num tive crise dos 20 …Acho que num sou normal rs….Mas sempre fui reflexiva e só fazia e faço o que manda minha consciência…E pra falar a verdade quando jovenzinha tenra num gostava de me enquadrar pra ser aceita não, era sempre do contra…rs
Por: Ana D em fevereiro 17, 2008
às 10:38 pm
KaracO, eu li oque vc escreveu e podia jurar que ideia de 40 anos hein, Puts já revirei mundos e fundos e quase nunca encontro algo assim…Adorei teu blog quando puder vá a meu blog não magestral mais cerve como algo.
Vc é muito inteligente.
Por: Chris em abril 23, 2010
às 7:15 pm
Fui mostrar a uma pessoa o que “patifaria” significava. Usando o google, em umas das páginas, fui re-direcionado para cá. Me vi em cada palavra do seu texto.
Eu estou enojado de toda essa farsa. Desses sorrisos que as pessoas cobram da gente nessas situações nas quais a falsidade é transmitida codificada nesses tais sorrisos…
Estou à um mês e meio dos meus 20 anos. Sou rodiado por pessoas falsas, daquelas que abraçam e te ferem com as unhas. Daquelas que dizem “te amo” análogando um “te odeio”, mas sempre, com um maldito e falso sorriso na cara.
Patifes, de fato. Me sinto doente aqui. Espero que isso tudo mude e, se não for desejar muito, para melhor.
Grande abraço. Até mais.
Por: Robert Zero em maio 1, 2010
às 10:06 pm